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Profissão designer de jogos

Data: 
24.03.2005

A demanda por profissionais especializados em design de games não corresponde ao restrito número de opções de formação na área
Andréa Lemos

Talvez os pais não gostem muito da idéia, mas tem gente que, além de ser viciado em jogar, anda se metendo a criar games. No Brasil, existe apenas um curso de graduação específico nesta área, Planejamento e Design de Games, na Universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo. Mas o pessoal que atua hoje vem de campos como ciência da computação, design, música, publicidade e toma conta de um mercado promissor. Só no Brasil, o negócio com jogos movimenta anualmente mais de R$ 120 milhões. Nos Estados Unidos, as cifras sobem para quase R$ 80 bilhões, volume maior que o arrecadado com a bilheteria de cinema norte-americana, segundo informações da assessoria da Jynx, empresa pernambucana especializada em jogos.
Salvador ainda não pode falar muito sobre o assunto, mas a vontade de alguns tem colocado para frente projetos como o Indigente, iniciado por cinco estudantes de ciência da computação da Universidade Federal da Bahia [Ufba].
Em julho do ano passado, os colegas Jailson Brito, 20, Rodrigo Rocha, 20, Ivan Monteiro, 22, Alexandre Amorim, 20, e Humberto Bandeira, 24, resolveram criar um laboratório de pesquisa em jogos. A idéia é abrir um espaço de estudo inexistente na Bahia e mostrar que desenvolver games não é brincadeira, requer conhecimentos e habilidades específicos, além de muita dedicação.
A história de cada um ajuda a explicar a atitude de formação do grupo. Quando tinham 15 e 17 anos, respectivamente, Jailson e Ivan começaram a desenvolver alguns jogos. Na época, a intenção era tentar ganhar dinheiro para fazer vestibular na Unicamp. Mas acabaram não finalizando o projeto.
Jailson acabou criando, junto com Alexandre e Rodrigo, o Arriox, jogo para computador que ficou em segundo lugar no Festival de Jogos Independentes do SBGames [Simpósio Brasileiro de Games], no ano passado. E Humberto fez animações, que apresentou no Festival de Vídeo em 5 Minutos, e agora leva à frente o projeto do motor de jogos, batizado de Inge [Indigente Game Engine].
É neste projeto que os estudantes concentram energia. Humberto explica que o motor agrega ferramentas para fazer qualquer game, como um "esqueleto genérico", desenvolvido a partir de programas livres. Os planos têm boas intenções: colaborar com quem está começando a se aventurar na produção de jogos.
No currículo - O Departamento de Ciência da Computação da Ufba não possui professores especializados em jogos, mas a vice-chefe do departamento, Fabíola Greve, conta que a iniciativa dos estudantes pode atrair mestres interessados.
Para Fabíola, a reformulação no currículo do curso poderá trazer uma linha de estudo voltada para planejamento de design de games. "Este é um campo de atuação novo no Brasil. A Sociedade Brasileira de Computação criou há pouco tempo uma comissão especial na área de jogos, isso significa que existem muitas pesquisas sendo desenvolvidas sobre o tema".
Por enquanto, o jeito é fazer como o grupo Indigente, que leva os trabalhos das disciplinas para o lado dos jogos.
Horizonte multidisciplinar
Tiago Rocha, 26, teve que mudar de cidade para conseguir trabalhar com o que mais gosta: jogos. Há quase dois anos, ele trabalha numa empresa em Recife como game designer, função que lhe dá a responsabilidade de criar as regras de um game e acompanhar o desenvolvimento do produto.
Nas palavras do rapaz, o game designer é como se fosse o roteirista e diretor de um filme e lida mais com word e excel do que com qualquer outro programa. Ele aproveita e explica que, no processo de concepção de um jogo, os outros dois principais envolvidos são o programador e o artista.
O primeiro deve implementar as idéias que partiram da equipe, por meio da linguagem do computador. Os profissionais desse setor têm, geralmente, origem nas escolas do campo da tecnologia, como computação e informática.
E os chamados artistas são responsáveis pela cara do jogo. "Tudo o que se vê no jogo foi feito pelo artista. Para lidar com isso, tem que gostar muito de arte digital", afirma Tiago, com todo o conhecimento de quem responde pelas contratações da empresa.
O baiano, formado em publicidade na Universidade Católica, teve o primeiro contato com desenvolvimento de jogos na época em que trabalhava em uma agência de web designer. Para ele, esse é um espaço que pode servir como passagem para quem quer jogos de verdade. "As empresas de web chegam um pouco perto de uma empresa de jogos porque unem arte com programação".
Onde estudar
z Universidade Anhembi Morumbi - UAM/SP -
Planejamento e Design de Games 0800 159 020/ 11 5094 1819 www.anhembi.br
Links
z Para baixar o Airrox, jogo desenvolvido pelos estudantes da Ufba
z Nesta página você pode propor jogos para o concurso JogosBR, promovido pelo Ministério da Cultura
z Página do Simpósio Brasileiro de Jogos
z Página de rede de empresas de jogos de entretenimento
O mercadão
No mercado nacional de jogos, Tiago diz que os profissionais podem optar por dois principais caminhos: o de fazer jogos sérios ou advergames.
Por jogos sérios, os gamers entendem como os produtos desenvolvidos a partir da demanda de empresas, especialmente as de publicidade e de treinamento de pessoal, como os usados pelo Sebrae.
Já os advergames são os jogos de entretenimento, criados para console [videogame], para computador ou para celular, suporte que abre cada vez mais espaço no mercado. Ano passado, a venda de games para celular chegou a quase R$ 4 bilhões no mundo.
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